Geada forte atinge milho no Paraná, MS e Paraguai com perdas de até 70%
Clima · Por Redação ConectaAgro · 24 de junho de 2026
Evento climático severo compromete lavouras de milho safrinha na região Sul e no país vizinho. Levantamento de danos ainda está em curso no Brasil.
Uma geada de forte intensidade atingiu lavouras de milho no Paraná, no Mato Grosso do Sul e no Paraguai, causando danos ainda em avaliação nas áreas produtoras brasileiras. No lado paraguaio da fronteira, produtores já relatam quebra de até 70% na produtividade, segundo informações divulgadas pelo portal Notícias Agrícolas. O evento climático ocorreu em momento crítico para o calendário da safrinha, cultura que representa parcela expressiva da produção nacional de milho.
O impacto potencial sobre a oferta interna de milho preocupa o mercado, especialmente porque Paraná e Mato Grosso do Sul figuram entre os principais estados produtores da segunda safra. Qualquer redução relevante no volume colhido pressiona os preços domésticos e pode afetar os custos de produção de proteína animal — suínos, aves e bovinos confinados dependem diretamente da disponibilidade e do preço do cereal.
Safrinha em momento vulnerável
O milho safrinha brasileiro é semeado entre janeiro e março, após a colheita da soja, e sua fase de enchimento de grãos e maturação se estende até os meses de junho e julho — janela em que o risco de geada é historicamente mais elevado no Sul e no Centro-Oeste meridional. Quando o evento climático coincide com o período reprodutivo da planta, os danos são irreversíveis: o frio intenso destrói tecidos foliares, compromete a polinização e pode inviabilizar a espiga inteira. A magnitude das perdas depende da temperatura mínima registrada, da duração do frio e do estádio fenológico das plantas no momento do evento.
O Paraná é o segundo maior produtor de milho safrinha do país, atrás apenas de Mato Grosso, e o Mato Grosso do Sul ocupa posição relevante no ranking nacional. Geadas com capacidade de causar danos expressivos nessas regiões não são inéditas — episódios semelhantes ocorreram em anos anteriores e chegaram a reduzir a produção estadual de forma significativa, forçando revisões nas projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e elevando cotações do milho na B3 e no mercado físico.
Paraguai registra perdas severas
No Paraguai, país que integra o corredor produtivo do Cone Sul e comparte condições climáticas similares às da fronteira brasileira, produtores já comunicam quebra de até 70% na produtividade de suas lavouras, conforme relatos reunidos pelo Notícias Agrícolas. A magnitude declarada, se confirmada em levantamentos oficiais, caracterizaria um dos episódios de geada mais destrutivos para o milho paraguaio em anos recentes. O Paraguai exporta milho principalmente para o mercado regional e para a Europa, e perdas dessa escala afetam tanto a receita dos produtores locais quanto o balanço de oferta no mercado do Mercosul.
No Brasil, o levantamento dos estragos ainda estava em curso no momento da publicação das informações. A avaliação precisa das perdas demanda vistorias de campo, análise por satélite e consolidação de dados municipais — processo que pode levar dias ou semanas até gerar números oficiais. Até lá, o mercado opera com incerteza, o que por si só tende a gerar volatilidade nas cotações do cereal.
Cadeia de proteína animal na linha de impacto
Frigoríficos, integradoras de aves e suínos e confinamentos de bovinos acompanham com atenção qualquer evento que ameace a oferta de milho. O cereal representa a principal fração dos custos com ração e alimentação animal no Brasil, e oscilações abruptas de preço comprimem margens ao longo de toda a cadeia. Associações como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e entidades do setor de confinamento costumam monitorar de perto eventos climáticos com esse perfil. Produtores rurais com lavouras afetadas podem acionar o seguro agrícola — quando contratado dentro das diretrizes do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) — para cobertura dos prejuízos.
Do lado dos produtores de milho, a geada representa perda de receita em um ciclo em que os custos de produção já foram integralmente comprometidos. Insumos, arrendamento e mão de obra são despesas fixas que não retrocedem com o sinistro climático. Para quem não possui cobertura securitária adequada, o caminho pode ser o acesso a linhas de crédito emergencial ou renegociação de dívidas junto ao sistema financeiro rural.
Próximos passos
As atenções se voltam agora para os levantamentos de campo nos municípios afetados do Paraná e do Mato Grosso do Sul, que deverão alimentar as próximas atualizações de projeção da Conab para a safra 2024/25 de milho. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e sistemas privados de previsão climática serão monitorados para avaliar o risco de novas ondas de frio nas próximas semanas. No mercado, as cotações do milho na B3 e no mercado físico das praças do Sul e do Centro-Oeste tendem a refletir o grau de incerteza até que estimativas mais concretas de perda sejam consolidadas pelas autoridades setoriais.