Conectividade rural pode adicionar até R$ 101 bi ao agronegócio brasileiro

Tecnologia · Por Redação ConectaAgro · 24 de maio de 2026

Estudo da Esalq/USP mostra que ampliar internet no campo de 23% para 90% das áreas agrícolas pode elevar o Valor Bruto da Produção em quase R$ 102 bilhões.

Conectividade rural pode adicionar até R$ 101 bi ao agronegócio brasileiro

Levar internet ao campo brasileiro pode ser o maior salto de produtividade do agronegócio na próxima década. Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), estima que ampliar a cobertura de internet nas áreas rurais dos atuais 23% para 90% do território agrícola nacional poderia gerar um incremento de até R$ 101,47 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuário.

A pesquisa, intitulada 'Cenários e Perspectivas da Conectividade para o Agro', projeta dois caminhos de expansão da infraestrutura de telecom até 2026 e aponta que, mesmo no cenário mais conservador, os ganhos para o setor seriam expressivos — e que tecnologias como satélite, fibra óptica e 5G serão centrais nessa transformação.

Dois cenários, dois tamanhos de impacto

O primeiro cenário prevê o aproveitamento da capacidade ociosa de 4.400 torres de telecomunicações já instaladas no país. Com isso, a cobertura nas zonas rurais saltaria dos atuais 23% para 48%, gerando um aumento de 4,5% no VBP — o que, com a produção projetada em R$ 1,057 trilhão, representa R$ 47,56 bilhões a mais para o setor. Já o segundo cenário contempla a construção de 15.182 novas torres, elevando a cobertura a 90% e ampliando o VBP em 9,6%, ou R$ 101,47 bilhões, segundo o MAPA.

Nosso produtor rural demanda tecnologia e está apto para continuar recebendo mais inovação. A conectividade promove o avanço tecnológico no campo e também promove uma aproximação real do meio rural com os grandes centros urbanos.

Tereza Cristina, ministra da Agricultura

Satélite para o interior, 5G para a agricultura digital

Para comunidades remotas e assentamentos rurais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a solução será a conectividade via satélites geoestacionários. Em parceria com o Ministério das Comunicações, uma primeira fase já prevê a conexão de 156 comunidades em 134 municípios de dez estados. Até o momento, 51 pontos já foram instalados em Alagoas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba e Sergipe.

No horizonte mais avançado da agricultura digital, o 5G surge como tecnologia essencial para conectar sensores a solo, plantas e animais — permitindo ao produtor monitorar em tempo real variáveis como composição do solo, desempenho animal e condições de lavoura. Um projeto-piloto da tecnologia já foi inaugurado em Rondonópolis (MT), com outras instalações previstas para Rio Verde (GO), Uberaba (MG), Londrina (PR), Petrolina (PE), Ponta Porã (MS), Bebedouro (SP) e Padef (DF), entre outros.

A conectividade é o elemento de infraestrutura primordial para a agricultura digital. Essas comunidades são essencialmente rurais e receberão sinal para poder incrementar suas produções.

Cléber Soares, secretário-adjunto de Inovação do MAPA

Pequenos produtores também no radar

O MAPA também avalia o uso dos chamados 'white spaces' — faixas ociosas do espectro de radiodifusão que poderiam ser usadas por operadoras de internet para oferecer conexão básica, como mensagens de texto e voz via aplicativos, a pequenos agricultores no interior do país. A tecnologia, no entanto, ainda depende de regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que abriu consulta pública sobre o tema em maio de 2020. Segundo o secretário Cléber Soares, o ministério não tem preferência por nenhum modelo específico: cabe ao produtor escolher a solução mais adequada à sua realidade.