Milho brasileiro sofre pressão de preços e exportações serão decisivas para safra 25/26
Por Vinicius Vasconcelos · 26 de maio de 2026
O avanço da segunda safra, aumento da oferta interna e incertezas no comércio global pressionam os preços do milho brasileiro em 2026. Exportações e logística passam a ser fatores decisivos para sustentar a rentabilidade do produtor rural.

O mercado brasileiro do milho iniciou 2026 em um cenário de pressão crescente sobre os preços. O avanço da segunda safra, aliado ao aumento da disponibilidade interna do cereal, ampliou a oferta nacional justamente em um momento de desaceleração parcial das compras domésticas. Segundo projeção da Conab, a produção brasileira de milho deve superar 127 milhões de toneladas na safra 2025/26, consolidando o Brasil entre os maiores exportadores globais do cereal. Panorama do milho brasileiro — safra 2025/26 Indicador Número Produção total estimada 127 milhões t Safrinha 101 milhões t Exportações projetadas 44 milhões t Consumo interno 83 milhões t O crescimento da produção ocorre principalmente no Centro-Oeste, onde estados como Mato Grosso ampliaram área cultivada apostando em maior demanda internacional e recuperação parcial das margens agrícolas. Oferta elevada aumenta pressão interna Com mais milho disponível no mercado doméstico, compradores passaram a reduzir agressividade nas negociações. Em diversas regiões produtoras, os preços começaram a perder força diante do avanço da colheita. Além da maior oferta, o produtor rural enfrenta outro desafio: custos ainda elevados. Mesmo com alguma acomodação nos fertilizantes em relação aos picos anteriores, despesas com defensivos, diesel, armazenagem e juros continuam pressionando o caixa operacional das propriedades. Segundo levantamento divulgado pelo Banco Central do Brasil e análises do setor financeiro agrícola, o custo de capital permanece como um dos maiores gargalos da safra 2025/26. Exportações serão decisivas Se no mercado interno existe pressão, o comércio exterior pode funcionar como válvula de equilíbrio. O Brasil segue competitivo internacionalmente graças ao câmbio valorizado e aos problemas climáticos enfrentados por outros exportadores. A demanda asiática permanece aquecida, principalmente em países que ampliaram importações para ração animal e segurança alimentar. Dados do MAPA mostram que o milho brasileiro ganhou relevância estratégica nos últimos anos, especialmente após a abertura de novos mercados internacionais. No entanto, analistas alertam que a capacidade logística brasileira continuará sendo um fator crítico. Gargalos logísticos preocupam setor O avanço da produção agrícola brasileira não foi acompanhado no mesmo ritmo pela expansão da infraestrutura de escoamento. Problemas relacionados a: • frete • armazenagem • filas portuárias • capacidade ferroviária • custo de transporte continuam reduzindo competitividade em determinados momentos do ano. Principais desafios logísticos do milho brasileiro Gargalo Impacto Frete elevado Reduz margem líquida Falta de armazenagem Pressiona venda antecipada Dependência rodoviária Aumenta custo operacional Congestionamento portuário Atrasa exportações Segundo especialistas do setor, produtores que possuem estrutura própria de armazenagem tendem a atravessar períodos de maior pressão com vantagem competitiva relevante. ANÁLISE CONECTAAGRO O milho brasileiro entrou em uma fase onde produtividade isolada não garante rentabilidade. O novo diferencial competitivo passa por: • eficiência logística • inteligência comercial • gestão financeira • capacidade de armazenagem • estratégia de exportação Em um mercado global cada vez mais competitivo, produtores que dominarem gestão e comercialização terão maior proteção contra ciclos de pressão nos preços.